quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dependência e uso nocivo do álcool na gestação

Recentemente criada pela Associação Médica Brasileira, a Comissão de Combate ao Alcoolismo e Drogas da AMB, presidida pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira, lançou há pouco tempo um curso on-line de Educação Continuada sobre Diagnóstico e Tratamento da Dependência e Uso Nocivo do Álcool. O programa visa apresentar uma série de técnicas para antecipar o diagnóstico da dependência química e está disponível no site da AMB (www.amb.org.br). É aberto a médicos de qualquer especialidade, gratuitamente.
 
O curso é básico, feito para identificar pessoas que fazem uso nocivo do álcool antes de se tornar dependentes, para que seja possível uma intervenção precoce. “Embora não haja uma abordagem específica, incluem-se aí mulheres, gestantes e homens. No caso das gestantes, destacam-se os riscos de uso na gravidez e as técnicas que podem ser usadas especificamente para este público”, destaca Claudio Jerônimo da Silva, diretor de ensino, professor e pesquisador da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) e da INPAD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas).
 
De acordo com o psiquiatra, que coordena o programa com Ronaldo Laranjeira, a investigação na gestante é fundamental, em virtude do risco de o bebe nascer com a chamada Síndrome Alcoólica Fetal.
 
“Uma investigação específica sobre o hábito de consumo do álcool deve ser feita durante o pré-natal para evitar a ocorrência do problema. A síndrome é o principal fator que deve ser prevenido, uma vez que é grave e provoca consequências definitivas para a criança, tais como deficiência mental. Isso sem falar na síndrome de abstinência na  criança, nos casos em que a mãe faz uso de álcool em grande quantidade no final da gravidez ou durante a amamentação.”
 
Nesse caso, a criança nasce irritada, chorando muito, não consegue dormir. Pesquisas mostram que crianças expostas à bebida alcoólica na gestação ou amamentação têm maior predisposição a desenvolver dependência no futuro.
 
“Não sabemos qual é o mecanismo exato, mas parece que, além da questão genética, expor ao álcool um cérebro em formação torna-o mais vulnerável a desenvolver dependência no futuro.”



Comissão de Combate ao Alcoolismo e Drogas da AMB
 
O lançamento da Comissão contou com a presença do Secretário de Estado da Saúde, Giovanni Guido Cerri, que destacou algumas estatísticas importantes relacionadas à realidade do consumo de álcool no Brasil: “40% dos menores de idade no Brasil consomem álcool e, na maioria dos casos, este consumo foi introduzido pela família”.
 
No entanto, destacou o secretário, 97% dos adultos e mais de 80% dos adolescentes apoiam a restrição ao uso de álcool por adolescentes. Quanto aos problemas relacionados à bebida, Cerri salientou a ligação com a violência geral e sexual, envolvimento com outras drogas e problemas familiares.
 
Cerri discorreu ainda sobre a lei encaminhada a Assembleia Legislativa de São Paulo que reforça a proibição da venda de álcool para menores, e também o consumo,
 
“A atual lei não prevê nenhum tipo de sanção para quando jovens consomem álcool em um estabelecimento comercial. Agora a lei amplia essa restrição, indicando que o estabelecimento é responsável pela utilização do álcool por menores. Antes existia proibição, mas não a penalidade, ou seja, a lei era inócua”. (Sai última frase: Segundo o secretário, a norma deve ser aprovada até o início de setembro deste ano.)

Acesse esse link e veja otimos videos

http://www.amb.org.br/teste/comissoes/anti_tabagismo/videos.html



SÓCRATES "Conhece-te a ti mesmo"
 



Como falar de Sócrates, que tanto brilhou no futebol e que deveria agora brilhar como médico?

Que tinha a arte de elegantemente cruzar os gramados nas últimas décadas deste século, provocando o som ensurdecedor das arquibancadas pelo mundo afora, em uníssono... gooolll!

Que tragédia!

Ironicamente, projeto-me ao passado e nos empoeirados livros encontro...  

O julgamento e a execução de Sócrates são eventos centrais da obra de Platão. Sócrates admitiu que poderia ter evitado sua condenação (beber o veneno chamado cicuta) se tivesse desistido do seu plano. Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos. A razão para sua cooperação com a justiça da pólis e com seus próprios valores mostra uma valiosa faceta de sua filosofia, em especial aquela que é descrita nos diálogos com Críton”.
O Sócrates dos nossos tempos, que desafiava a lei da gravidade com sua chuteira voadora, fazendo curvas e empurrando a rede com a bola até o seu limite, também poderia ter evitado a sua morte, digamos... “precoce”.

Se tivesse bebido a metade do que de fato bebeu, poderia estar ainda encostando o seu estetoscópio no peito de pacientes sorridentes, que ao sair lhe pediriam autógrafos.
Até uma “bolinha” no final de semana quiçá, poderia bater com os amigos. Mas foi diferente! Seu nome diferentemente do passado que compilava os mais importantes jornais, hoje ficou gravado em uma lápide. Ele não era eterno é verdade, mas foi cedo demais!
Aos bebedores ditos “sociais”, digo... O Sócrates também era um!

Ideias filosóficas
As crenças de Sócrates, em comparação às de Platão, são difíceis de discernir. Há poucas diferenças entre as duas ideias filosóficas. Consequentemente, diferenciar as crenças filosóficas de Sócrates, Platão e Xenofonte é uma tarefa difícil e deve-se sempre lembrar que o que é atribuído a Sócrates pode refletir o pensamento dos outros autores.
Se algo pode ser dito sobre as ideias de Sócrates, é que ele foi moralmente, intelectualmente e filosoficamente diferente de seus contemporâneos atenienses. Quando estava sendo julgado por heresia e por corromper a juventude, usou seu método de elenchos para demonstrar as crenças errôneas de seus julgadores. Sócrates acredita na imortalidade da alma e que teria recebido, em um certo momento de sua vida, uma missão especial do deus Apolo Apologia, a defesa do logos apolíneo "conhece-te a ti mesmo".

Penso que esse dito de Sócrates tem muito daquilo que precisamos... Conhecermo-nos a nos mesmos, seria como nos envolver nos limites aos quais somos expostos e vivermos o tanto que nos foi conferido. Ou interromper a nossa historia na metade deixando o restante para a posteridade.

Sócrates também duvidava da ideia sofista de que a arete (virtude) podia ser ensinada para as pessoas. Acreditava que a excelência moral é uma questão de inspiração e não de parentesco, pois pais moralmente perfeitos não tinham filhos semelhantes a eles. Isso talvez tenha sido a causa de não ter se importado muito com o futuro de seus próprios filhos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Abrigamento compulsório de menores é considerado um exemplo da boa recuperação

G1
Medida, que vem tirando usuários de drogas das ruas, completa seis meses nesta quarta-feira
 RIO - Cinco meses atrás, J., de 16 anos, dormia nas ruas da Favela da Mandela, uma das comunidades mais pobres do Rio, no Complexo de Manguinhos. Viciado em crack e subnutrido, ele trocava a comida pela droga e roubava para sustentar o vício. Hoje, o adolescente frequenta oficinas educativas, pratica esportes e alimenta o sonho de ser marinheiro. O motivo de tamanha mudança ele não hesita em afirmar: o abrigamento num centro de reabilitação público. J. foi um dos primeiros atingidos pela polêmica medida da prefeitura do Rio que determina o abrigamento compulsório de menores dependentes químicos, que completa seis meses nesta quarta-feira. E é considerado um exemplo da boa recuperação que está tendo a maioria das 104 crianças e adolescentes abrigadas compulsoriamente até agora pela Secretaria municipal de Assistência Social (Smas). Pouco tempo depois de ser acolhido numa operação em Manguinhos, ele reencontrou a mãe, que não via há seis anos, e começou a ser reinserido na família e na sociedade.

Como lidar com a fissura do cigarro

Chris Bertelli, iG Saúde
 
"Vontade é uma coisa que dá e passa.” A frase, utilizada desde os tempos da vovó, pode ser um alento para quem está tentando parar de fumar. Resistir ao ímpeto de levar um cigarro à boca, no entanto, não é tarefa fácil. “A pessoa precisa saber o que vai enfrentar: as crises de abstinência. Vai ter desejo, perder concentração, ficar mais irritada, pode acontecer de engordar. Mas é importante entender que essa fase passa e que a primeira semana é a mais difícil. Mas essa vontade vai diminuindo”, afirma Ciro Kirchenchtejn, pneumologista coordenador do centro de tratamentos para dependentes da nicotina HelpFumo.
 

Fumar Maconha Encolhe O Cérebro

welchkillianFran Lowry
11 nov 2011 – O consumo de maconha pode levar a uma perda de volume cerebral em indivíduos em risco de desenvolver esquizofrenia, mostra nova pesquisa.
"Já é aceito pela maioria dos psiquiatras que fumar maconha aumenta o risco de psicose no indivíduo, e mais especificamente a esquizofrenia", disse o autor Killian A. Welch, MD, da Universidade de Edimburgo, Royal Edinburgh Hospital, Reino Unido, ao Medscape Medical News .
No entanto, o risco associado com o uso da droga não parece ser distribuído de forma igual entre a população, acrescentou o Dr. Welch.
"Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia são particularmente vulneráveis ​​aos efeitos psicotomiméticos da droga, e têm uma probabilidade de risco mais elevado de desenvolver esquizofrenia, particularmente se consumirem cannabis", disse ele. "No entanto, ainda não está claro como a cannabis afeta o cérebro para resultar no aumento do risco."
O estudo foi publicado na edição de novembro do British Journal of Psychiatry.
Redução de Volume altamente significativos

Fonte: http://www.uniad.org.br/
 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eventos

 Que tal um livro que faça a ponte entre a técnica de dinâmica grupal das teorias psicólogicas e as abordagens baseadas nos 12 Passos da Narcóticos Anônimos....


Este livro junta as nossas experiências:
Eli Mendes de Moraes & Ariovaldo Gonçalves Cruz


Em breve estará a disposição para venda



          Segundo Pichon-Riviére,“pode-se falar em grupo quando um conjunto de pessoas movidas por necessidades semelhantes se reúnem em torno de uma tarefa específica”.
No cumprimento e desenvolvimento das tarefas, deixam de ser um amontoado de indivíduos para cada um assumir-se enquanto participante de um grupo, com um objetivo mútuo.
Isto significa também, que cada participante exercitou sua fala, sua opinião, seu silêncio, defendendo seus pontos de vista. Portanto, descobrindo que, mesmo tendo um objetivo mútuo, cada participante é diferente. Tem sua identidade. Neste exercício de diferenciação - cada indivíduo vai introjetando o outro dentro de si. Isto significa que cada pessoa, quando longe da presença do outro, pode “chamá-lo” em pensamento, a cada um deles e a todos em conjunto. Este fato assinala o início da construção do grupo enquanto composição de indivíduos diferenciados. O que Pichon denomina de “grupo interno”.
“O indivíduo é um ser “geneticamente social”.
(Wallon)



domingo, 10 de julho de 2011

LIBERAÇÃO DA MACONHA


As ultimas notícias sobre o assunto ocuparam bastante espaço na mídia, até porque a polemica surgiu através de uma verdadeira autoridade nos estudos do sujeito e da sociedade. Além de tudo é nosso ex-presidente, um homem que deixou o legado de grandes mudanças. 
Precisamos admitir que ele realmente colaborou na abertura do espaço para as mudança que hoje desfrutamos.

Assim o assunto, digo, polemica, não condiz com a realidade que vivemos hoje,  já que lamentamos tanto pelo tabagismo e hoje há um grande movimento para cercear a liberdade dos fumantes e por não dizer o álcool que tem um espaço consolidado dentro do contexto social pois este faz parte dos gritos das comemorações.

Pensando de forma em consonância com o desfecho desta discussão que se tornou em passeata da maconha, alguém poderá organizar uma passeata também para o tabaco, para cachaça, cocaína, crack e do que mais. Para assim justificar que o proibido é mais prazeroso?

Enfim, acredito que essa forma de enfrentar as drogas é a mais covarde e comodista. Não posso com o meu inimigo uno-me a ele! O governo precisa desenvolver programas de prevenção e continuar a combater e não justificar uma liberação deliberada.

A maconha conforme já foi estudada e avaliado seus prejuízos pelos mais renomados profissionais da saúde, não é preciso dizer que alem de ser difícil conter um adolescente que inicia, geralmente com a maconha, se consiga conscientizá-lo de que a maconha esta liberada mas use com cautela. O adolescente ao usar a maconha, com os efeitos alucinógenos já perdeu o seu juízo critico e vai ter de lidar com a compulsividade que é uma realidade no consumo de drogas. Estará ele em condições para ouvir qualquer apelo?

Então eu penso que o apelo do nosso ex-presidente foi infeliz e demonstra não conhecer a fundo os efeitos e os prejuízos que as drogas estão impondo aos usuários.

Mas é só a maconha! Poderá alguém dizer. A maconha é só a porta de entrada e quando o adolescente a experimenta, quase na totalidade irá desenvolver a compulsão e a tolerância. E ai é só aguardar os estragos.

Recebo mães, esposas e outros, todas as semanas em um programa de atenção a essa problemática, onde só aparecem, lágrimas, sofrimentos, medos e desesperanças, pelos seus adolescentes ou maridos que estão nos grilhões da dependência de alguma substancia ou de todas.   
Reflita. 
E podemos discutir o assunto.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ERK: uma proteína responsável pelo desejo por cocaína?


ERK: uma proteína responsável pelo desejo por cocaína?
ERK: a protein responsible for cocaine craving?
Maithe Arruda-Carvalho*
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Centro de Ciências da Saúde, UFRJ, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Comentário sobre o artigo: “ Central amygdala ERK signaling pathway is critical to incubation of cocaine craving ” - Lu L.; Hope, B.T.; Dempsey, J.; Liu, S.Y.; Bossert, J.M. e Shaham, Y. , Nature Nauroscience, 2005; 2: 212-219.
Um dos maiores problemas clínicos enfrentados no combate ao vício das drogas é a recaída. Estudos mostram que usuários são suscetíveis à volta ao consumo de drogas de abuso mesmo após longos períodos de abstinência.
As últimas décadas evidenciaram a contribuição da pesquisa em neurobiologia para o desenvolvimento de tratamentos para uma série de distúrbios psiquiátricos. Muitos trabalhos têm estudado os comportamentos relacionados à dependência de drogas. Mas a pergunta que sempre permaneceu é: Poderia a pesquisa oferecer um meio de regular o desejo pela droga e contornar o problema da dependência química?
Existe uma extensa literatura que busca elucidar os correlatos moleculares do uso de substâncias de abuso para compreender os comportamentos de vício e de recaída. É sabido que o sistema de recompensa mesocorticolímbico tem um papel crucial em comportamentos de dependência. A maior parte destes trabalhos parte da chamada hipótese da neuroadaptação, que prediz que a exposição a drogas de abuso provocaria alterações moleculares duradouras no sistema de recompensa. Desta forma, a compreensão e o mapeamento temporal destas modificações poderia fornecer informações para direcionar o desenvolvimento de fármacos que contribuíssem na solução do problema. Em humanos, a maior parte dos trabalhos utiliza casos de pacientes com lesões ou técnicas de imageamento (como ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitrons - PET) para identificar áreas do cérebro relacionadas com os comportamentos de consumo, vício e recaída. Em animais, o estabelecimento de paradigmas de consumo de drogas de abuso por auto-administração produziu um grande volume de informação sobre os circuitos neurais que medeiam o estabelecimento do vício, incluindo uma extensa descrição de neurotransmissores e receptores envolvidos.
A recaída ao uso de drogas é frequentemente precipitada pela exposição do usuário a situações associadas à droga, como o encontro de pessoas com quem a utilizava ou o retorno a lugares de consumo. Acredita-se que esta exposição a circunstâncias (ou pistas) relacionadas à droga gere um estado motivacional subjetivo de ânsia/desejo intenso pela droga, que precederia e direcionaria a procura por ela. A compreensão dos mecanismos neurais que medeiam este estado tem implicação potencial na clínica.
Em artigo publicado em fevereiro na revista Nature Neuroscience , um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos liderado por Lin Lu utilizou um modelo animal para estudar a recaída ao uso de cocaína após abstinência. Seu paradigma consistia de três etapas. Inicialmente os ratos eram mantidos em uma gaiola em que podiam auto-administrar cocaína. A administração se dava pelo pressionamento de uma alavanca, cuja disponibilização era precedida por duas pistas: uma luz vermelha era acesa e um som emitido.
Na primeira etapa os ratos eram treinados por 10 dias - tendo sessões de auto-administração de 6 horas por dia – construindo uma associação entre a luz e o som e a possibilidade de se drogar. Ao treinamento se seguia um período de abstinência de duração variável. Após a abstinência os ratos faziam o chamado teste de extinção, em que voltavam à gaiola e eram expostos às pistas associadas ao consumo de cocaína – luz vermelha e som. Neste momento eles podiam pressionar a alavanca mas não havia injeção de cocaína, de modo que a quantidade de vezes que eles pressionam a alavanca é uma medida da ânsia/desejo pela droga que eles estão sentindo.
Os pesquisadores se surpreenderam ao verificar que esta ânsia ou desejo intenso pela droga é maior em ratos mantidos por longos períodos em abstinência do que nos primeiros dias sem cocaína. Quanto mais tempo eles permanecem em abstinência maior é o número de pressionamentos de alavanca quando são expostos a pistas relacionadas a cocaína. Baseados em dados clínicos, os autores propuseram a existência de uma síndrome tardia de ânsia pela droga que se desenvolveria nos primeiros três meses de abstinência. Uma vez que o estado de ânsia é determinante do comportamento de busca pela droga – e definidor da recaída - era relevante buscar compreender os substratos moleculares deste fenômeno.
Como a ânsia crescia junto com o tempo de abstinência, Lu e colaboradores procuraram uma alteração molecular que acompanhasse este crescimento. Os experimentos apontaram para o aumento da ativação de uma proteína na amígdala dos ratos. A amígdala é uma região muito envolvida na resposta a estímulos agradáveis e ao comportamento de busca pela droga. Em humanos a amígdala é ativada quando os voluntários são expostos a pistas relacionadas à droga, e a lesão nesta área impede a formação destas pistas. A proteína que teve sua ativação aumentada com o aumento do tempo de abstinência foi a proteína regulada por sinais extracelulares, ERK. Esta proteína está envolvida em eventos relacionados à memória e ao efeito de recompensa promovido por drogas de abuso.
A injeção de um inibidor de ERK na amígdala dos ratos provocou uma redução no número de pressionamentos da alavanca, diminuindo a ânsia. Entretanto, o tratamento com um agente que ativa esta via de sinalização aumentou o número de pressionamentos. Este aumento foi revertido quando o inibidor da proteína foi utilizado, indicando que somente a ativação de ERK na amígdala era responsável pelo aumento na ânsia com o tempo de abstinência.
Através de um paradigma simples este grupo demonstrou a associação de um comportamento tão complexo quanto o aumento do desejo por cocaína à ativação de uma proteína em uma área restrita do cérebro. Este artigo se coloca no contexto de uma série de trabalhos que buscam, pela elucidação dos fundamentos moleculares do comportamento, nos aproximar de uma compreensão da mente humana e de suas funções. Sua abordagem é um exemplo de simplicidade e elegância em pesquisa e ainda sugere, mesmo como possibilidade longínqua, um possível alvo de ação de psicofármacos para prevenção de recaída.
Este estudo é ilustrativo de como a pesquisa básica com modelos animais é capaz de responder questões complexas e oferecer caminhos para a resolução de problemas clínicos. As aplicações e implicações éticas destas informações, no entanto, representam outros desafios e questões que precisam ser pensadas, e cuja relevância ultrapassa largamente o domínio das neurociências.
Nota sobre a autora
*Maithe Arruda-Carvalho é biomédica (UFRJ) e Mestranda no Curso de Pós-graduação em Biofísica (UFRJ) no Laboratório de Neurogênese, Programa de Neurobiologia do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). E-mail para correspondência: maithe@biof.ufrj.br